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EPIDEMIOLOGIA DOS DEFEITOS CONGÉNITOS NO SERVIÇO DE NEONATOLOGIA DO HOSPITAL PEDIÁTRICO DAVID BERNARDINO. LUANDA 2013-2014.

 

Diana Ross*, Helena José**, Elsy Tavares***, Cláudia Almeida****, Joaquim Dias Van-Dunem*****, Sandra Teixeira******, Silmara Dias do Santos*******.

*Mestre em Educação Médica. Professora Titular de Embriologia e Genética no Centro de Formação de Saúde Multiperfil (CFS), Luanda, Angola.

**Doutor, Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-cirúrgica, Coordenadora do Centro de Formação de Saúde Multiperfil (CFS), Luanda, Angola, Investigadora do CIIS e da European Academy of Nursing Science

***Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária e professora no Centro de Formação de Saúde Multiperfil (CFS), Luanda, Angola.

****Mestre, Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica e professora no Centro de Formação de Saúde Multiperfil (CFS), Luanda, Angola.

*****Director do Gabinete de Ensino de Pós-graduação e Pesquisa, do Hospital Pediátrico David Bernardino, Luanda, Angola  

******Técnica de enfermagem, estudante do Curso de Especialização para Técnicos de Enfermagem em Anestesia. Centro de Formação de Saúde. Clínica Multiperfil, Luanda, Angola

*******Enfermeira e professora no Centro de Formação de Saúde Multiperfil (CFS), Luanda, Angola.

 

 diana.martin@multiperfil.co.ao

 

INTRODUÇÃO

As anomalias congénitas são defeitos na forma, estrutura e/ou função de órgãos, células ou componentes celulares presentes antes do nascimento e surgem em qualquer fase do desenvolvimento fetal (Reis & Ferrari, 2014). Em consideração ao estudo actual é relevante assinalar que os defeitos ou anomalias congénitas ainda que estejam presentes antes do nascimento podem não ser perceptíveis ou diagnosticadas nem ao nascer, nem na vida neonatal, ainda assim, continuam a ser congénitas. O impacto dos defeitos congénitos na mortalidade infantil depende de diversos factores, incluindo a prevalência das anomalias, a qualidade e disponibilidade do tratamento médico e cirúrgico, bem como a presença e efectividade de medidas de prevenção primária (Amorim et al., 2006). As condições de desenvolvimento dos países, influenciam tanto a prevalência das malformações como a sua importância na mortalidade infantil. A proporção de mortes infantis, atribuíveis às anomalias congénitas, varia entre 2% e 27%, entre países desenvolvidos e não desenvolvidos devido às grandes disparidades regionais (Oliveira et al., 2006). Vários factores ambientais e nutricionais podem aumentar a prevalência de defeitos congénitos, porém em países cuja mortalidade infantil é elevada, as principais causas de morte no primeiro ano de vida relacionam-se sobretudo com a desnutrição e as doenças infecciosas, em que as malformações correspondem a 5% ou menos destas mortes (Oliveira et al., 2006). Já nos países desenvolvidos, a proporção de mortes no primeiro ano de vida e relacionadas com as anomalias congénitas tende a ser elevada. Na medida em que outras causas de morte têm vindo a ser controladas, as anomalias têm assumido um papel proporcionalmente maior (Melo, Zurita, Uchimura & Marcon, 2010). São múltiplos os factores que se encontram associados ao desenvolvimento de anomalias ou defeitos congénitos, nomeadamente: a idade materna extrema, os factores ambientais e nutricionais, as doenças maternas (infecciosas ou crónicas), a exposição da gestante a determinados tóxicos e gases ambientais, o consumo de determinados fármacos durante o primeiro trimestre da gestação (inclusive em períodos prévios à mesma), assim como, as condições de vida que geram pobreza e condições de trabalho precário (Melo, Zurita, Uchimura & Marcon, 2010). A escassez de dados oficiais em Angola referentes às anomalias congénitas aponta para a necessidade de implementar registos de defeitos congénitos, dos seus factores de risco e de informação já existente, assim como um intercâmbio entre as entidades governamentais de saúde e as instituições públicas de cuidados de saúde primários e secundários, bem como instituições de saúde privadas. Tal visa colocar ao dispor o maior número de informações, sobre a incidência, prevalência e identificação dos factores de risco inerentes aos defeitos congénitos e característicos do contexto angolano, considerando a mencionada escassez de informações relativas às anomalias congénitas no país, nos aspectos epidemiológicos, sócio-demográficos e estatísticos (Melo, Zurita, Uchimura & Marcon, 2010).

 OBJECTIVOS

(1) Determinar a incidência de malformações congénitas em recém-nascidos assistidos na sala de Cuidados Intensivos do Serviço de Neonatologia do Hospital Pediátrico Provincial de Luanda, durante os anos 2013 e 2014. (2) Identificar a associação de alguns factores biológicos e sócio-demográficos com o desenvolvimento dos defeitos congénitos nesse contexto. (3) Identificar o impacto destas malformações na mortalidade neonatal.

MATERIAL E MÉTODOS

Estudo descritivo transversal, quantitativo, realizado no Hospital Pediátrico David Bernardino de Luanda, em Angola. Os dados foram obtidos a partir do livro de registo da sala de Cuidados Intensivos correspondente ao serviço de Neonatologia; este serviço recebe casos de toda a província capital e casos referenciados de outras províncias, embora no período estudado estes tenham sido poucos. A colheita de dados teve início após a aprovação do projecto pelo comité de Ética e compreende o período do segundo semestre do ano de 2013 e o ano de 2014. Foram estudados um total de 478 casos, dos quais 275 corresponderam ao ano de 2013 e 203 casos ao ano de 2014.

A variável dependente foi a presença de anomalia congénita e as variáveis independentes foram as biológicas correspondentes à mãe e ao recém-nascido e as sócio-demográficas; todas elas foram submetidas a análise estatística utilizando o programa SSPS versão 21, para estimar as associações entre variáveis, aplicando a análise estatística de frequência absoluta e relativa, o teste do qui-quadrado e a correlação de Pearson e de Spearman.

RESULTADOS

Dos casos estudados 63,4% apresentaram um defeito congénito. Verificou-se um predomínio de anomalias do sistema digestivo (53,7 % no ano de 2013 e 48,4% no ano de 2014) principalmente a abdominoquise (gastrosquise), seguindo-se as do sistema cardiovascular (5,2%). Idades inferiores a 15 anos, mostraram uma associação muito forte e directa com os defeitos congénitos, especialmente com a abdominoquise e o onfalocelo. O sexo masculino foi predominante com significação estatística (68 %). A maioria dos casos corresponde ao município de Viana (38 %) seguida do município de Belas (23,6 %) e Cazenga (15,2%). Relativamente ao peso do recém-nascido verificou-se maior frequência nos de peso inferior a 1500 gr, embora sabendo que num número considerável não foi registado o peso. Os defeitos congénitos constituíram a maior causa de mortalidade dos casos estudados.

CONCLUSÕES

Neste estudo encontrou-se uma grande incidência de defeitos congénitos nos recém-nascidos assistidos na sala de Cuidados Intensivos do serviço de Neonatologia do Hospital Pediátrico David Bernardino (Luanda), sendo o sexo masculino, a idade materna menor de 15 anos e o facto de viver nos municípios de Viana e de Belas as variáveis que mais influenciaram a incidência dos defeitos congénitos e a mortalidade. Os defeitos congénitos mostraram correlação forte e directa com a mortalidade do serviço. Existiu uma grande inter-relação entre as variáveis independentes e a dependente.

RECOMENDAÇÕES

Recomenda-se que as variáveis estudadas sejam alvo de estudo aprofundado em investigações prospectivas. Sugere-se, ainda, estudar em investigações posteriores o comportamento de outros factores de risco e sua relação com os defeitos congénitos, a mortalidade e a afectação da qualidade de vida. Propõe-se alargar este estudo a outras localidades do país e elaborar o registo de defeitos congénitos e factores de risco a partir dos dados obtidos das instituições de saúde do país.

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. Amorim, M. M. R., Vilela P. C., Santos A. R. V. D., Lima A. L. M. V., Melo E. F. P., Bernardes H. F., Filho, P. F. B. M., & Guimarães V. B. (2006). Impacto das malformações congênitas na mortalidade perinatal e neonatal em uma maternidade-escola do Recife. Revista Brasileira de Sáude Materno Infantil, 6(1), 19-25.
  2. Melo W. A., Zurita R. C. M., Uchimura T. T. & Marcon S.S. (2010). Anomalias congênitas: fatores associados à idade materna em município sul brasileiro, 2000 a 2007. Revista Eletrónica de Enfermagem, 12(1), 73-82. Disponível em: http://www.fen.ufg.br/fen_revista/v12/n1/pdf/v12n1a09.pdf .
  3. Oliveira F. C. C., Albuquerque L. C., Paulo C. S., Lacerda A. M., Fortuna F. N., Farias S., Portela D., Christi A. & Acosta A. X. (2006). Defeitos Congênitos – tópicos relevantes. Gazeta Médica da Bahia, 76(3), 32-39. Disponível em: http://www.gmbahia.ufba.br/index.php/gmbahia/article/viewFile/281/272
  4. Reis L. L. A. S. & Ferrari R. (2014). Malformações congênitas: perfil sócio-demográfico das mães e condições de gestação. Revista Enfermagem UFPE on line, 8(1), 98-106.

  

PALAVRAS-CHAVE: recém-nascido; anomalias congénitas; incidência, factores de risco, prematuridade.