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VIA AÉREA DIFÍCIL EM PESSOA SUBMETIDA A ANESTESIA: A RESPONSABILIDADE DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM

 

Adérito Teixeira1; Afonso André1; Antónia Ndesihafela1; António Abel1; Ataíde Timóteo1; Benedita dos Prazeres1; Costa Neto1; Daniel Luwawa1; Engrácia Catenda1; Helena Manuel1; Isabel Baptista1; Ivo Bambi1; João António1; Luís Ndala1; Luwawa Sebastião1; Natália Baptista1; Ricardo Tona1; Teresa Dovala1; Teresa Damião1; Victor Miguel1; Weba Malu1; José Silva, MSc2.

 

1 Estudantes do Curso de Especialização para Técnicos de Enfermagem em Anestesia, Centro de Formação de Saúde Multiperfil, Luanda, Angola.

2 Mestre, Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-cirúrgica, Mestre em Enfermagem Médico-cirúrgica  e professor. Centro de Formação de Saúde Multiperfil, Luanda, Angola.

 

jose.silva@multiperfil.co.ao

 

INTRODUÇÃO:

É crescente o volume de literatura sobre a abordagem da via aérea do cliente submetido a anestesia, o que retrata a progressiva preocupação com esta problemática, especialmente quando essa abordagem se mostra difícil e se torna um compromisso eminente à vida do cliente. Isto obriga os profissionais a serem seguros, conhecedores e ágeis nas acções que realizam para ultrapassar esse momento crítico. Efectivamente a abordagem inadequada da via aérea é a causa mais frequente de complicações associadas à anestesia, sendo apresentada como responsável por 30% da mortalidade de causa exclusivamente anestésica (Magalhães, Marques, Gouvêia, Ladeira & Lagares, 2013). Actualmente é considerada uma via aérea difícil em anestesia quando a sua abordagem feita por um profissional de anestesia experiente, confere dificuldade na ventilação com máscara facial ou laríngea, dificuldade com a intubação orotraqueal ou ambas (Hagberg & Artime, 2014). Emerge nesta situação uma interacção complexa entre factores do cliente, o quadro clínico e a habilidade e experiência do profissional, pelo que todos os técnicos de enfermagem da área de anestesia devem ter conhecimento de como lidar com esta situação, que está associada a risco imediato de vida ou sequela neurológica permanente.

 

OBJECTIVOS:

GERAL:

Alertar para a importância da avaliação pré-anestésica da via aérea.

 

ESPECÍFICOS:

Identificar as causas de via aérea difícil; Identificar os métodos de avaliação e os cuidados de enfermagem ao cliente com via aérea difícil.

 

METODOLOGIA:

Realizou-se uma revisão narrativa da literatura, com recurso a bases de dados, manuais e revistas da área científica em estudo. Considerou-se literatura publicada entre os anos de 2013 e 2015.

 

RESULTADOS:

As várias sociedades de anestesiologistas internacionalmente reconhecidas, apresentam diretrizes atualizadas periodicamente quanto às causas mais comuns de via aérea difícil e às características mais pertinentes para uma adequada avaliação pré-anestésica, bem como quanto à preparação de condições essenciais para a manipulação da via aérea, incluindo a revisão constante de algoritmos estratégicos para a sua abordagem. Em revisão da literatura as causas para via aérea difícil encontradas são diversas, destaca-se o trabalho de Rodrigues, Scordamaglio, Palomino, Oliveira, Jacomelli e Figueiredo (2013) sobre intubação de via aérea difícil em que, de 102 clientes pré-avaliados com risco de via aérea difícil, a predominância de causas se relacionavam com a limitação de abertura da boca, obesidade e trauma cervical, sendo ainda apresentadas outras causas como doenças articulares, obstrução traqueal por massa, trauma da face, entre outros (tabela 1). Causas como pescoço curto, macroglossia, micrognatia, corpos estranhos e doenças congénitas são ainda acrescentadas por Vegara, Atin, Santamaría, Gridilla, Romero e Barba (2014) como percussoras de via aérea difícil. Por este facto a avaliação da via aérea do cliente deve contemplar anamnese e exame físico, onde o profissional pesquise antecedentes de intubação difícil; limitações na abertura de boca; curta distância tireomentoniana; macroglossia; obesidade; apneia do sono; compromisso das vias respiratórias por doença congénita; infecção; tumor; edema ou hematoma; incapacidade de estender o pescoço ou instabilidade cervical; dentes frágeis ou protusos e classificação de Mallampati (Magalhães, Marques, Gouvêia, Ladeira & Lagares, 2013). Apesar da perspectiva fortemente instrumental que a abordagem da via aérea em anestesia pode oferecer, o técnico de enfermagem deve dirigir sempre os seus cuidados ao cliente vendo-o como um todo nas suas diferentes dimensões pessoais. Os cuidados de enfermagem em anestesia devem assim ser dirigidos ao cliente, envolvendo-o no seu processo de avaliação pré-anestésica, de modo a que este forneça informações fidedignas na anamnese e colabore activamente no exame físico. O técnico de enfermagem deve realizar educação para a saúde ao cliente sobre a importância do seu envolvimento activo neste processo e sobre os cuidados específicos à abordagem da via aérea, como a necessidade de jejum e remoção de próteses “soltas” previamente à anestesia, deve também apoiar e orientar o cliente durante o exame físico e registar todos os aspectos pertinentes, bem como prever e planear todos os cuidados e materiais necessários à abordagem da via aérea durante a anestesia, colaborando na manutenção da permeabilidade desta, administrando fármacos requeridos e manipulando adequadamente os instrumentos necessários. O técnico de enfermagem deve garantir simultaneamente o conforto e protecção da integridade do cliente nas suas diferentes dimensões pessoais, assumindo, ainda, a responsabilidade de monitorização contínua do cliente após o procedimento, preservando a sua estabilidade hemodinâmica e o seu bem-estar (Sousa & Marques, 2014).

 

CONCLUSÃO:

A pesquisa realizada sobre a temática abordada permite-nos concluir que a possibilidade de causas de via aérea difícil é diversa e que esta afecta cerca de 10% de todos os clientes submetidos a laringoscopia. Isto reforça a pertinência de uma avaliação dirigida e prévia da via aérea do cliente por parte do profissional de anestesia a fim de prevenir eventos críticos de via aérea difícil imprevisível, bem como de preparar as condições e a resposta adequada quando a avaliação da via aérea é previsivelmente difícil. Neste sentido a falha de avaliação prévia da via aérea do cliente que vai ser submetido a anestesia pode resultar no aumento de eventos críticos e compromisso da vida do cliente. É de realçar ainda o importante papel que o profissional de enfermagem, que actua na área de anestesia, deve assumir ao longo de todo o período de preparação, execução e monitorização da abordagem da via aérea, devendo por isso ser detentor de elevado conhecimento teórico e instrumental nesta área, mas não se resumindo apenas a ele, pois num momento que se pode tornar crítico, o técnico de enfermagem deve considerar sempre o cliente nas suas múltiplas dimensões pessoais, e conseguir ser um elemento de resposta às necessidades que englobem essa multiplicidade.

 

RECOMENDAÇÕES:

Tendo em conta a importância e complexidade da temática, bem como a crescente investigação nesta área, com aparecimento progressivo de novos métodos, técnicas, materiais, e revisão periódica de algoritmos de abordagem da via aérea do cliente submetido a anestesia, recomenda-se que os profissionais envoltos nesta área de prestação de cuidados actualizem frequentemente os seus conhecimentos.

Recomenda-se, ainda, que apesar da forte componente técnica que a temática apresenta, o técnico de enfermagem em anestesia nunca deixe de cuidar o cliente na sua multiplicidade bio-psico-social e espiritual.

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. Hagberg, C. A. & Artime, C. A. (2014). Extubación del paciente perioperatorio com una vía aérea difícil. Revista Colombiana de Anestesiologia, 42 (4), 295-301.
  2. Magalhães, E., Marques, F. O., Gouvêia, C. S., Ladeira, L. C. A. & Lagares, J. (2013). Uso de preditores clínicos simples no diagnóstico pré-operatório de dificuldade de intubação endotraqueal em pacientes portadores de obesidade. Revista Brasileira de Anestesiologia, 63 (3), 262-266.
  3. Rodrigues, A. J., Scordamaglio, P. R., Palomino, A. M., Oliveira, E. Q., Jacomelli, M., & Figueiredo, V. R. (2013). Intubação de via aérea difícil com broncoscópio flexível. Revista Brasileira de Anestesiologia, 63 (4), 359-362.
  4. Sousa, H., Marques, O. (2014). Anestesia. In Duarte, A. & Martins, O. (Coord). Enfermagem em bloco operatório (pp 69-92). Edições Técnicas. Lousã: Lidel.
  5. Vegara, A. M., Atin, C. B., Santamaría, J. G., Gridilla, J. M., Romero, J. P. & Barba, M.S. (2014). Manejo de la vía aérea en oncología de cabeza y cuello. Revista Española de Cirurgía Oral Y Maxilofacial, 36 (4), 164-168.

 

PALAVRAS-CHAVE: Via Aérea Difícil; Avaliação Pré-anestésica; Cuidados de Enfermagem.

 

ANEXO:

 

Tabela 1. indicações para consideração de via aérea difícil.

anexo

Fonte. Rodrigues et al. (2013).